Após quase três anos de pausa, nosso encontro sobre arquitetura social voltou com muitas novidades! Assim como em todas as edições anteriores, o evento foi marcado por aprendizados, trocas de experiências e, claro, muito trabalho coletivo.
Recebemos pessoas de diferentes áreas e trajetórias, o que tornou o encontro ainda mais rico e especial. Quem participou teve a oportunidade de conhecer de perto diversas técnicas de bioconstrução — como pintura com tinta de carvão e reboco de terra, explorando na prática como cada uma delas funciona.
A programação foi dividida em dois momentos: teórico e prático. Na primeira etapa, aprofundamos a técnica de assessoria que aplicamos em nossos projetos. Já na segunda, todos colocaram a mão na massa em uma ação coletiva de reforma do Centro Cultural Paulo Freire.
Realizamos a limpeza do espaço, a preparação da terra para o reboco, a produção de tinta natural e o plantio de mudas para o telhado verde. Todas participaram ativamente das atividades, em um dia repleto de trocas, sorrisos e conexões. Pudemos vivenciar, na prática, o impacto da assessoria técnica em arquitetura nas dimensões sociais e comunitárias.
Experiência e impacto
Durante o Vivências ANP 2025, o estudante de Arquitetura e Urbanismo Matheus Tavares compartilhou conosco o impacto profundo que a experiência teve em sua jornada. Para ele, participar do evento foi mais do que um aprendizado técnico, foi um reencontro com o sentido da profissão que escolheu:
“Agradeço imensamente pela oportunidade que tive com essa experiência. Desde que escolhi cursar arquitetura, eu sentia estar buscando algum propósito, alguma forma de participar da sociedade a partir do que eu amo e aprender com ela. Eu digo que ver o grupo atuando renovou meu espírito e me deu uma vontade enorme de ajudar, de compartilhar vivências e conhecimentos. Seja na roda de conversa ou durante a própria obra, ficou evidente como estamos inseridos em uma cultura coletiva, e é desse trabalho conjunto que tiramos nossas potências.”
A conexão com suas origens e o sentimento de coletividade marcaram profundamente sua vivência. Em suas palavras, Matheus revela como o momento foi também um resgate emocional e simbólico, uma herança que continua viva através da arquitetura feita com afeto. “Eu mesmo venho de um lar feito à mão por quem veio antes de mim e esse contato, esse amor e dedicação são coisas que perduram na arquitetura e continuam em nós. Foi na companhia de vocês que encontrei o que buscava na arquitetura. Eu gostei de participar de algo que vá perdurar para além de mim, nas memórias que compartilhei com quem trabalhei em equipe e nas paredes batidas que irão acolher quem vai viver o Centro Cultural Paulo Freire, conclui.”
Outro depoimento que nos tocou foi o de Ambuá, artista participante do encontro, que destacou a dimensão ancestral e coletiva dessa experiência:
“Há tempos eu queria participar de alguma atividade do Arquitetura sem Fronteiras. Meu desejo vinha do fato de, como artista, estar interessade nos conhecimentos e saberes ancestrais, como a (bio)construção e a pintura à base de terra, e por um especial afeto pelo formato de mutirão, que sempre convida as ações e construções a terem um sentimento de coletividade a meu ver revolucionário. Esse fazer junto e aprender sem qualquer sentimento de hierarquias é visível no projeto, e foi com um sorriso largo que passamos o dia todo trabalhando. O que víamos nascer não era só um lugar, mas um templo onde podemos sonhar o mundo que queremos. Vida longa ao projeto!”
Estamos imensamente felizes e gratas por compartilhar esse momento com tantas pessoas dispostas a transformar a realidade ao nosso lado. Agora, vocês fazem parte da nossa corrente mais forte: a corrente do bem.
Muito obrigada e até o próximo encontro!
